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Discursos

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Discurso do Senhor Hans-Gert Poettering,
Presidente du Grupo do PPE-DE,
pronunciado no Parlamento Europeu,
Quarta-Feira, dia 12 de Fevereiro de 2003

Situação no Iraque



Poettering (PPE-DE). – (DE) Senhor Presidente, Senhor Presidente em exercício do Conselho, Senhor Comissário, caros colegas, a União Europeia e a Aliança do Atlântico Norte defrontam-se com a perspectiva de verem a sua unidade destruída. Embora a Europa seja um espectáculo triste de se ver, existe uma oportunidade em todas as crises, por isso não devíamos dizer que uma política externa e de segurança comum da Europa não faz sentido ou que fracassou; em vez disso, temos de redobrar os nossos esforços para que a nossa política externa e de segurança possa ser efectivamente partilhada por todos nós.

Qualquer política tem de se basear numa análise clara, a de que o problema é Saddam Hussein, à frente de um regime de terror baseado no crime, no terror e no assassínio. Senhor Comissário, na verdade o Iraque é um país rico, mas o seu ditador saqueou-o. Portanto, quem considera que os EUA são o problema está a confundir causa e efeito. O ditador iraquiano é que é o problema.

(Aplausos)

O nosso grupo defende firmemente a opinião de que as armas de destruição maciça que estão nas mãos de Saddam Hussein constituem uma ameaça para a região e põem em perigo a paz do mundo. O desarmamento tem de ser feito sob a égide da ONU; deverá ser pacífico mas, se tal não for possível, deverão ser utilizados meios militares. A responsabilidade pelo facto de ocorrer pacificamente ou por meio de força militar é exclusiva do ditador iraquiano, Saddam Hussein.

(Aplausos)

Recordemos a cronologia dos acontecimentos. No centro da desunião dentro da Europa e do outro lado do Atlântico está o auto-isolamento da República Federal da Alemanha, pela qual o seu actual Chanceler tem de assumir a responsabilidade.

(Aplausos da direita do hemiciclo, vozes)

O Chanceler federal alemão, ao provocar o auto-isolamento da Alemanha – fossem quais fossem as suas razões – durante a campanha que precedeu as eleições para o Bundestag, e na qual afirmou, “faça a ONU o que fizer, nunca participaremos nisso!”, retirou a pressão de Saddam Hussein; teve uma atitude anti-europeia, porque é necessário falar primeiro aos europeus antes de fazer publicamente afirmações com tais implicações em comícios eleitorais. Repetiu o mesmo durante a campanha eleitoral para as eleições regionais, mas não obteve bons resultados em termos de votos.

Chegamos então ao segundo elemento desta cronologia, a declaração franco-alemã por ocasião das celebrações do Tratado do Elysée. Falando em termos de psicologia política – e faço-o em intenção dos nossos amigos franceses, em particular –, isso deu a falsa impressão de que a posição francesa era agora igual à posição alemã. Os franceses sempre foram muito mais sofisticados, mas foi essa a impressão política com que se ficou.

Seguiu-se, então, a declaração dos oito Estados. Falo em nome do nosso grupo quando vos digo que lamentamos esta forma de agir, que não cumpre o processo comunitário, e que não podemos subscrever. No entanto, na sua essência, esta declaração tem a nossa aprovação. Ela também era necessária, a fim de podermos enviar um sinal de amizade aos nossos parceiros americanos.

(Aplausos do centro e da direita do hemiciclo)

Deparamo-nos agora com a questão do que irá acontecer a seguir. Aconselho a que reflictamos sobre a forma como entendemos a nossa relação com a América. Se entendermos a unidade europeia em termos de oposição aos Estados Unidos da América, estamos a construir a Europa sobre areia. Pelo nosso lado, preferimos uma parceria entre a União Europeia e os Estados Unidos da América, uma parceria baseada na cooperação entre pares e na parceria multilateral.

Obviamente que também exigimos alguma coisa dos nossos parceiros americanos. Não consideramos correcto que a Administração americana liderada pelo Presidente Bush considere a relação dos EUA com a Europa em termos bilaterais, que é como quem diz, Washington e Paris, Washington e Londres, Washington e Roma, Washington e Madrid, Washington e Berlim, etc. Temos de definir a relação entre os EUA e a Europa de modo a que os europeus possam agir de forma comum e também de modo a que as Instituições europeias sejam o parceiro da Administração americana nas negociações.

(Aplausos)

Se não construirmos essa parceria de igual para igual com a América, isso também vai contra os interesses da América, como constatamos agora, quando vemos que a desunião europeia tem consequências na Aliança do Atlântico Norte. A Administração norte-americana e o Presidente Bush também deveriam reconhecer o valor da unidade europeia, que também é do interesse dos Estados Unidos da América.

Se nós, na Europa, voltássemos à formação de eixos como outrora fizemos, o nosso grupo e eu considerá-lo-íamos um caminho perigoso a seguir. Imaginem – e não vou usar a palavra “eixo” – que havia, como parece estar a ganhar forma, duas posições comuns, com Paris, Berlim e Moscovo de um lado e Londres, Roma e Washington do outro. Se a Europa se apresentasse assim ao mundo, seria um espectáculo aterrador. É por isso que temos de agir no âmbito da Comunidade. Tudo o que estamos presentemente a fazer tem de ser feito a nível comunitário.

É por essa razão, Senhor Presidente em exercício do Conselho, que o nosso grupo apoia a sua decisão de convocar uma cimeira dos Chefes de Estado e de Governo.

Permitam-me que diga uma ou duas palavras sobre a questão da Turquia. Se os nossos parceiros turcos nos pedirem para os envolvermos no planeamento e lhes fornecermos armas para a sua defesa, não creio que possamos recusar um pedido desses, uma solicitação dessas. Espero que consigamos igualmente resultados quanto a esta questão.

(Aplausos)

O meu desejo para a reunião da Presidência do Conselho da próxima segunda-feira é que se consigam três coisas: uma posição comum europeia, a transposição do abismo profundo entre nós e os Estados Unidos e o envio de um sinal ao ditador iraquiano, indicando-lhe que tem de se desarmar. Esperemos que isso se faça por meios pacíficos e no quadro das Nações Unidas!

(Vivos aplausos)

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